O reino - Carrère, Emmanuel

Edição:
Publicação: 26 de abril de 2016
Idioma: Português
Páginas: 440
Peso: 0.950 kg
Dimensões: 23.2 x 14 x 2.6 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 855652012X
ISBN-13: 9788556520128

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O reino - Emmanuel Carrère

A inquietação da fé

Em O reino, Emmanuel Carrère empreende uma investigação literária e pessoal sobre o cristianismo primitivo e sua própria experiência de fé. O livro nasce da memória de um período em que o autor, tomado por uma súbita conversão, mergulhou nos textos bíblicos e na vida religiosa, para depois se afastar e olhar com distância crítica aquilo que vivera. O resultado é uma obra que oscila entre o testemunho íntimo e a pesquisa histórica, entre a confissão e a análise erudita.

A fusão entre autobiografia e história

Carrère não se limita a narrar sua experiência espiritual; ele reconstrói, com minúcia e imaginação, o contexto dos primeiros cristãos, especialmente a figura de Paulo e os evangelistas. Sua escrita percorre os caminhos da Palestina e de Roma, evocando o fervor, as disputas e a construção de uma fé que se tornaria universal. Essa fusão entre autobiografia e história confere ao livro uma singularidade: é ao mesmo tempo relato pessoal e ensaio sobre os fundamentos da religião.

O estilo e a reflexão

A prosa de Carrère mantém sua marca característica: clara, envolvente, mas sempre inquieta. Ele não busca certezas, mas interroga incessantemente, expondo suas dúvidas e contradições. O tom é de uma sinceridade quase desconcertante, pois o autor não teme revelar sua vulnerabilidade diante da fé, nem sua desconfiança diante das verdades religiosas. Essa tensão entre crença e descrença dá ao texto uma força que ultrapassa o mero relato histórico.

A dimensão filosófica

Mais do que um livro sobre religião, O reino é uma meditação sobre o sentido da vida, sobre a necessidade humana de encontrar narrativas que deem forma ao vazio. Carrère examina o cristianismo não apenas como fé, mas como construção cultural e literária, capaz de moldar séculos de pensamento e arte. Ao fazê-lo, ele convida o leitor a refletir sobre a própria relação com a transcendência, seja pela adesão, pela dúvida ou pelo afastamento.

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