| Edição: 2ª |
| Publicação: 7 de junho de 2021 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 216 |
| Peso: 0.450 kg |
| Dimensões: 23.2 x 15 x 1.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8556521223 |
| ISBN-13: 9788556521224 |
Leve este livro para casa hoje
Este artigo contém links afiliados. Como associado(s)
da Amazon, ganhamos comissões pelas compras qualificadas.
VER PREÇO NA AMAZON
Em Senhor das moscas, William Golding elabora uma das mais perturbadoras autópsias da natureza humana, subvertendo o otimismo das narrativas de aventura insular para revelar o cerne sombrio da civilização. A trama, situada no contexto de uma evacuação durante um conflito nuclear, acompanha um grupo de meninos britânicos, educados e civilizados, que naufragam em uma ilha deserta. O que inicialmente se assemelha a uma utopia de liberdade infantil rapidamente degenera em um experimento sociológico aterrador, onde a ausência de supervisão adulta e de sanções institucionais permite a emergência de instintos primordiais de violência e dominação.
O estilo de Golding é marcado por um simbolismo denso e uma prosa que transita da clareza descritiva para uma atmosfera de pesadelo febril. A ilha, descrita com uma vivacidade sensorial que evoca tanto o Éden quanto o inferno, torna-se o palco de uma luta maniqueísta entre dois impulsos humanos fundamentais: o desejo de ordem, lei e cooperação — representado por Ralph e o som da concha — e a pulsão pelo caos, poder e gratificação imediata — encarnada por Jack e sua horda de caçadores. A linguagem evolui conforme a regressão dos personagens, tornando-se mais gutural e ritualística à medida que a racionalidade é sacrificada no altar do medo.
O coração da obra reside na figura que lhe dá título: o “Senhor das Moscas”. A cabeça de porco empalada, apodrecendo sob o sol e cercada por insetos, é a representação física da corrupção interna que assola os meninos. Através do diálogo alucinatório entre o porco e Simon, o místico e incompreendido do grupo, Golding articula sua tese central: a “besta” que as crianças temem não é um monstro externo, mas uma presença latente dentro de cada indivíduo. A maldade não é algo aprendido ou imposto de fora, mas uma força atávica que a civilização tenta, com fragilidade, conter.
A morte de Piggy, o portador da inteligência e do pensamento científico, e a destruição da concha simbolizam o colapso definitivo do contrato social e da voz da razão. Golding utiliza a crueldade dos meninos para questionar a eficácia da educação e da cultura como antídotos para a barbárie. O resgate final, operado por um oficial naval, não oferece um alívio genuíno, mas uma ironia trágica: os meninos são salvos de sua guerra privada por um adulto que é, ele próprio, parte de uma guerra global e mecanizada. A obra termina com o choro de Ralph pela “morte da inocência e pela escuridão do coração do homem”, deixando no leitor a inquietante certeza de que a linha entre o cidadão e o selvagem é mais tênue do que ousamos admitir.
Conteúdo patrocinado: link de afiliado Amazon