| Edição: 1ª |
| Publicação: 28 de maio de 2024 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 488 |
| Peso: 0.700 kg |
| Dimensões: 15 x 2.7 x 23.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8556522076 |
| ISBN-13: 9788556522078 |
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Nesta obra de ambição arquitetônica sem precedentes, Haruki Murakami constrói uma narrativa dupla, em que dois mundos aparentemente distintos convergem numa profunda reflexão sobre a identidade e a memória. O autor alterna capítulos entre o “Impiedoso país das maravilhas”, uma Tóquio distópica e tecnocrática habitada por calculadores de dados e sistemas de criptografia biológica, e “O fim do mundo”, uma cidade onírica e murada onde as sombras são separadas de seus donos e os unicórnios pastam em um inverno eterno. Por meio de uma linguagem imbuída de um melancólico rigor lógico, Murakami explora a tensão entre o avanço tecnológico desumanizante e a pureza estática de um mundo interior desprovido de desejos. Ele revela que a verdadeira fronteira da existência reside nos limites da nossa própria mente.
O livro é uma narrativa que alterna entre duas realidades paralelas: uma futurista, marcada por tecnologia e mistério, e outra surreal, quase onírica, que lembra um conto de fadas distorcido. O romance é uma exploração da mente humana, da memória e da identidade, em que o leitor transita entre o racional e o fantástico.
O protagonista do mundo tecnológico é um *Calcutec*, um processador humano de dados que se vê envolvido em uma conspiração científica que ameaça a integridade de sua psique. Simultaneamente, no mundo da cidade murada, um recém-chegado tenta compreender sua função como leitor de sonhos em crânios de unicórnios, enquanto sua sombra, definhando no isolamento, o impele à fuga. Murakami disseca com minúcia o conceito de individualidade; ele sugere que a consciência é um fardo pesado, mas é o que nos confere humanidade. A prosa percorre esgotos infestados por criaturas subterrâneas e bibliotecas onde o silêncio é a norma, oferecendo considerações detalhadas sobre o preço da imortalidade psicológica e a necessidade intrínseca da dor e da memória para a formação do eu.
Um dos pontos mais profundos da obra reside na análise de como as memórias moldam a nossa realidade. Na cidade sem sombras, a ausência de lembranças gera uma paz absoluta, porém estéril; já na Tóquio distópica, o excesso de informação e o processamento lógico conduzem ao esgotamento do espírito. O autor demonstra que o “fim do mundo” não é um evento apocalíptico externo, mas o estágio final da retração da alma para dentro de si mesma.
Ao concluir este épico surrealista, Haruki Murakami oferece uma escolha existencial de proporções trágicas. Suas considerações finais enfatizam a dignidade da perda e a beleza da imperfeição, posicionando o protagonista como um herói da própria subjetividade. A obra subsiste como um monumento ao pensamento pós-moderno, unindo elementos de ficção científica, *noir* e fábula metafísica. É uma leitura que desafia a percepção de tempo e espaço, convidando o leitor a questionar se o mundo em que vivemos é a realidade última ou apenas uma projeção necessária para que a nossa consciência não se perca no vazio absoluto.
O fim do mundo e o impiedoso país das maravilhas é um romance que mistura distopia e fantasia para explorar os labirintos da consciência humana. Uma leitura que provoca, desconcerta e fascina, típica da assinatura literária de Murakami.
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