| Edição: 2ª |
| Publicação: 11 de março de 2015 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 160 |
| Peso: 0.222 Kg |
| Dimensões: 21 x 13.8 x 1 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8567394783 |
| ISBN-13: 9788567394787 |
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Comprar LivroNesta obra de cariz eminentemente sociológico e psicológico, publicada originalmente em 1956, Ludwig von Mises afasta-se momentaneamente dos axiomas puramente econômicos da Ação Humana para investigar as raízes anímicas do desprezo que muitos intelectuais e estratos sociais nutrem pelo sistema de mercado. Mises postula que o capitalismo, ao romper com as barreiras estamentais do feudalismo — onde o destino era selado pelo nascimento —, instituiu uma ordem fundamentada no mérito e na soberania do consumidor. Sob o regime de liberdade econômica, o sucesso de um indivíduo depende de sua capacidade de servir ao público da maneira mais eficiente e barata possível.
A tese central de Mises é que essa mesma mobilidade gera um profundo desconforto psicológico. Em uma sociedade de mercado, o fracasso econômico é percebido, muitas vezes, como uma evidência de insuficiência pessoal. Para mitigar a dor da própria mediocridade, o indivíduo frustrado projeta a culpa de sua condição no "sistema", refugiando-se em doutrinas anticapitalistas que oferecem o bálsamo da vitimização e a promessa de uma justiça distributiva que não dependa de seu desempenho produtivo.
Mises dedica uma análise particularmente mordaz à classe intelectual e aos profissionais das artes e letras. Ele argumenta que esses grupos, frequentemente dotados de uma educação superior, sentem-se injustiçados por um mercado que premia mais generosamente o empresário que fabrica bens de consumo populares do que o literato que produz obras complexas. Esse "ressentimento do intelectual" nasce da incompreensão de que, no capitalismo, o valor não é uma qualidade intrínseca determinada por méritos acadêmicos, mas sim um reflexo da utilidade marginal percebida pela massa de consumidores.
O autor explora como essa hostilidade se traduz em uma idealização romântica de sistemas pré-capitalistas ou socialistas, onde a hierarquia social seria ditada por "critérios espirituais" ou burocráticos, e não pelo pleito diário do mercado. Mises observa que o intelectual anticapitalista ignora que a liberdade de pensamento e a autonomia de que ele desfruta são subprodutos diretos da prosperidade e da descentralização de poder que só o capitalismo foi capaz de proporcionar na história humana.
Ao longo da obra, Mises refuta a crítica de que o capitalismo teria "vulgarizado" a cultura. Ele argumenta que, pela primeira vez na história, as massas foram elevadas a um patamar de conforto material que lhes permite o acesso a bens antes exclusivos da aristocracia. O autor defende que o chamado "materialismo" do capitalismo é, na verdade, a fundação necessária para qualquer desenvolvimento espiritual e artístico ulterior. A liberdade de escolha, que os críticos rotulam como alienação, é, para Mises, a maior conquista da civilização ocidental.
A erudição de Mises manifesta-se na precisão com que ele correlaciona a liberdade econômica à dignidade individual. Ele conclui que o ataque ao capitalismo não é um ataque à pobreza, mas sim um ataque à própria lógica da cooperação social voluntária. A mentalidade anticapitalista é apresentada como um atavismo que, se não for refutado pela razão e pelo entendimento das leis econômicas, ameaça reconduzir a humanidade ao servilismo e à estagnação dos tempos pré-liberais.