| Edição: 1ª |
| Publicação: 30 de novembro de 2016 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 216 |
| Peso: 0.250 kg |
| Dimensões: 20.6 x 14.2 x 1.4 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8568275427 |
| ISBN-13: 9788568275429 |
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Comprar LivroEm A invenção do monoteísmo: deuses feitos de palavras, Sacha Calmon empreende uma análise erudita e crítica sobre a transição das crenças politeístas para a consolidação da ideia de um deus único. O autor, conhecido por sua formação jurídica e vasta cultura humanística, afasta-se das explicações puramente teológicas para focar na filosofia e na sociologia da religião. Calmon argumenta que as divindades, longe de serem entidades preexistentes, são constructos linguísticos e culturais moldados pelas necessidades de organização social, controle político e busca de sentido das civilizações humanas.
A obra examina como a palavra escrita e a tradição oral foram fundamentais para a "invenção" de uma entidade absoluta. Através de um percurso que atravessa o Antigo Egito, a Mesopotâmia e o mundo helenístico, o autor demonstra que o monoteísmo não foi um evento isolado, mas um processo gradual de exclusão de outras divindades em favor de uma narrativa centralizadora, frequentemente atrelada ao poder estatal.
Um dos pontos centrais da resenha de Calmon é a ideia de que "Deus é verbo". Ele explora como a sistematização dos textos sagrados permitiu que uma determinada visão de mundo se tornasse hegemônica, silenciando a diversidade dos panteões ancestrais. O autor destaca que a transição para o monoteísmo trouxe consigo uma nova forma de interpretar a ética e o direito, estabelecendo verdades dogmáticas que serviram tanto para a coesão de povos quanto para a exclusão de "infiéis".
A análise de Calmon é particularmente perspicaz ao tratar do impacto do monoteísmo na estrutura do pensamento ocidental. Ele investiga a influência desse modelo religioso na formação das leis e na percepção da autoridade, sugerindo que a centralização divina espelha a centralização do poder terreno. O texto desafia o leitor a enxergar as religiões abraâmicas como fenômenos históricos sujeitos às mesmas pressões e transformações de qualquer outra instituição humana.
A qualidade editorial da obra se revela na capacidade do autor em dialogar com grandes pensadores da história, da sociologia e da linguística sem perder a fluidez. Calmon não busca desqualificar a fé individual, mas sim desvendar o mecanismo pelo qual as ideias religiosas são fabricadas e perpetuadas através dos séculos. A obra é um convite à reflexão sobre a autonomia do pensamento humano frente aos dogmas estabelecidos.
Com uma prosa direta e rigorosa, A invenção do monoteísmo posiciona-se como uma leitura essencial para aqueles que desejam compreender as raízes linguísticas e políticas da religião. É uma obra que trata o sagrado como um objeto de estudo científico, revelando as camadas de linguagem que sustentam as maiores estruturas de crença do mundo contemporâneo.