| Edição: 1ª |
| Publicação: 31 de agosto de 2023 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 304 |
| Dimensões: 12.5 x 2 x 19 cm |
| Formato: Brochura / Capa comum |
| ISBN-10: 8569020899 |
| ISBN-13: 9788569020899 |
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Comprar Livro📘 Com os sapatos aniquilados, Helena avança na neve, de Márcia Tiburi, é um romance publicado pela Editora Nós que se inscreve como um dos mais radicais exercícios de ficção feminista da literatura brasileira contemporânea. A obra combina elementos de thriller psicológico, crítica social e escrita experimental para narrar a trajetória de duas mulheres, Helena e Chloé.
Helena, uma brasileira silenciosa e enigmática, passa a viver em Paris no apartamento de Chloé, uma mulher solitária, combativa e marcada por um passado que insiste em não se apagar. A convivência entre as duas revela traumas compartilhados: maridos abusivos, pais assassinos, irmãos fanatizados, policiais monstruosos.
Unidas pela dor e por um intenso desejo de vingança, Helena e Chloé se voltam contra a barbárie do feminicídio e contra a estrutura que o sustenta. O livro alegoriza o turbilhão de violências vivido por mulheres de todas as épocas e lugares, lançando um olhar impiedoso sobre as grandes instituições que, segundo a autora, garantem o extermínio feminino: a família, a igreja, a polícia — ou seja, o patriarcado e seu truculento projeto de poder.
A narrativa acompanha Helena em um momento determinante de sua trajetória, onde a única escolha possível para garantir sua sobrevivência é matar. Esse ato extremo, embora questionável, é apresentado como uma tentativa de resistência brutal contra o destino imposto às mulheres de serem silenciadas, aproximando Helena de figuras trágicas e heroicas que desafiam as lógicas patriarcais da morte e do esquecimento. A relação com Chloé se aprofunda quando esta vê em Helena a sobrevivente que sua própria filha (perdida para o feminicídio) não pôde ser.
Márcia Tiburi constrói uma prosa que desafia o leitor. A autora imprime à narrativa uma dimensão ética e política que ultrapassa o enredo — o livro é, acima de tudo, um gesto de enfrentamento.