| Edição: 1ª |
| Publicação: 10 de agosto de 2004 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 440 |
| Peso: 0.540 kg |
| Dimensões: 20.4 x 14 x 2.6 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8571395268 |
| ISBN-13: 9788571395268 |
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Comprar LivroNesta obra fundamental do Iluminismo escocês, David Hume submete a estrutura do conhecimento humano a um exame implacável, buscando desmascarar as pretensões da metafísica abstrata e dogmática. Dividida em duas grandes investigações, o autor propõe que todo o conteúdo da mente humana deriva, em última instância, da experiência sensível. Hume estabelece uma distinção crucial entre "impressões" — as percepções vívidas e diretas dos sentidos — e "ideias" — cópias empalidecidas das impressões que guardamos na memória ou imaginação. Para Hume, qualquer ideia que não possa ser rastreada até uma impressão original deve ser descartada como um devaneio filosófico sem validade.
A investigação sobre o entendimento é célebre por seu questionamento da causalidade. Hume argumenta que a conexão entre causa e efeito não é uma verdade necessária descoberta pela razão, mas uma "crença" gerada pelo hábito e pelo costume. O fato de o sol ter nascido todos os dias até hoje não garante logicamente que ele nascerá amanhã; é a repetição constante que cria em nossa mente a expectativa da continuidade.
Na segunda parte da obra, voltada aos princípios da moral, Hume desloca o fundamento da ética da razão para o sentimento. Ele refuta a ideia de que as distinções entre vício e virtude procedem de inferências lógicas, sustentando que a moralidade é sentida e não julgada. O conceito central aqui é a "utilidade social", mas uma utilidade que nos agrada não por um cálculo frio, mas pela nossa capacidade inata de "simpatia" ou benevolência para com os outros seres humanos.
Para Hume, a aprovação moral nasce de um sentimento de prazer ou satisfação que experimentamos ao observar atos que promovem a felicidade da sociedade. Ele defende que a razão é, e deve ser, apenas a "escrava das paixões", servindo para descobrir os meios de atingir os fins que nossos sentimentos e desejos estabelecem. Assim, a moralidade é apresentada como um fenômeno natural e social, despido de sanções teológicas ou imperativos categóricos puramente racionais.
A escrita de Hume é marcada por uma elegância literária e uma clareza meridiana, evitando deliberadamente o jargão obscuro da escolástica. Ele propõe um "ceticismo mitigado", que reconhece as limitações do intelecto humano, mas não nos impede de agir no mundo. Ao limitar o conhecimento ao campo da experiência e a moral ao campo do sentimento social, Hume estabelece as bases para o utilitarismo e para a psicologia moderna.
Esta obra não apenas desafiou os fundamentos da filosofia continental de sua época, mas continua a ser um desafio para qualquer sistema que pretenda derivar a verdade ou a ética de princípios puramente abstratos. A qualidade editorial desta reunião de textos revela a unidade do projeto humiano: fundar uma ciência do homem que seja tão rigorosa quanto as ciências naturais, baseada na observação cuidadosa da vida comum e das operações da mente.