| Edição: 1ª |
| Publicação: 5 de agosto de 2005 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 160 |
| Peso: 0.210 kg |
| Dimensões: 20.8 x 14.2 x 1.4 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8571396043 |
| ISBN-13: 9788571396043 |
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Nesta obra de 1757, David Hume submete o fenômeno religioso a uma análise empírica e naturalista, afastando-se das discussões metafísicas tradicionais sobre a existência de Deus para focar nas causas da religiosidade na natureza humana. Hume argumenta que a religião não nasce da contemplação racional de uma ordem cósmica, mas sim das paixões fundamentais do ser humano: o medo do desconhecido e a esperança de controlar o destino. Para o filósofo escocês, a incerteza quanto aos eventos da vida — como a saúde, a colheita e a morte — impele a mente a personificar as forças naturais, atribuindo-lhes vontade, inteligência e caprichos semelhantes aos nossos.
A qualidade editorial do texto reside na sofisticação com que Hume desconstrói a ideia de que o monoteísmo foi a forma original de religião. Ao contrário, ele sustenta que o politeísmo é a raiz primitiva de todo culto, fruto de uma antropomorfização imediata e fragmentada do mundo. Somente através de um processo de adulação gradual das divindades é que o espírito humano teria convergido para a ideia de um Ser único e absoluto, impulsionado mais por um desejo de agradar a uma autoridade suprema do que por uma descoberta lógica da unidade do universo.
Hume introduz uma teoria dinâmica sobre a evolução das crenças, sugerindo que a humanidade oscila entre o politeísmo e o monoteísmo. No politeísmo, a proximidade com deuses limitados e humanos permite uma certa tolerância religiosa, pois a existência de um deus não exclui a do outro. No entanto, o desejo de elevar a divindade tutelar leva à atribuição de perfeições infinitas, resultando no monoteísmo. Este último, embora aparentemente mais “racional”, traz consigo o perigo da intolerância e do fanatismo, pois um Deus absoluto não admite rivais e exige uma ortodoxia estrita.
O autor observa uma contradição curiosa: embora o monoteísmo seja intelectualmente superior, ele frequentemente conduz a uma submissão abjeta e a uma moralidade baseada no temor. Já as religiões politeístas, por serem mais mundanas, tenderiam a fomentar virtudes mais ativas e sociais. Hume utiliza sua prosa incisiva para demonstrar como o absurdo das doutrinas muitas vezes aumenta a devoção dos fiéis, que veem no sacrifício do intelecto a maior prova de piedade.
História natural da religião é, em última análise, um exercício de ceticismo aplicado à sociologia da crença. Hume não se propõe a provar ou negar a verdade das religiões, mas a desmascarar a sua origem puramente mundana e emocional. Ele aponta que a maioria das pessoas não baseia sua fé em argumentos de design ou lógica, mas em tradições recebidas e na necessidade psicológica de conforto em um mundo hostil.
A obra permanece atual por sua recusa em aceitar explicações sobrenaturais para o comportamento humano, tratando a religião como qualquer outro objeto de estudo histórico e biológico. A erudição de Hume e sua capacidade de observar as fraquezas da mente com uma ironia contida fazem deste livro um pilar do iluminismo, desafiando a hegemonia clerical ao situar o sagrado não nos céus, mas nas profundezas da psiquis humana.
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