| Edição: 2ª |
| Publicação: 1 de janeiro de 2009 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 240 |
| Peso: 0.280 kg |
| Dimensões: 21 x 14 x 1.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 857326182X |
| ISBN-13: 9788573261820 |
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Comprar LivroPublicado originalmente em 1916, A teoria do romance é uma obra seminal do filósofo e crítico literário húngaro Georg Lukács, escrita em meio às tensões da Primeira Guerra Mundial e à crise espiritual da Europa. O livro não é apenas uma reflexão sobre o gênero romanesco, mas uma meditação filosófica sobre a relação entre forma literária e experiência histórica. Lukács parte da ideia de que o romance é a epopeia da modernidade: enquanto a epopeia clássica expressava uma totalidade orgânica entre homem e mundo, o romance nasce da cisão, da perda dessa unidade, e se torna a forma literária que traduz a busca por sentido em um universo fragmentado.
A obra se estrutura como uma investigação sobre a evolução das formas literárias, contrapondo a epopeia antiga ao romance moderno. Para Lukács, o romance é marcado pela ausência de transcendência imediata: o herói romanesco não encontra no mundo uma ordem plena, mas precisa construir seu próprio caminho em meio ao desencanto e à dispersão. Essa condição confere ao gênero uma dimensão filosófica, pois nele se encena a luta do indivíduo contra a falta de sentido e a tentativa de reconciliar-se com a realidade.
O estilo de Lukács é denso e reflexivo, impregnado de referências filosóficas, sobretudo ao idealismo alemão. Sua análise não se limita à técnica literária, mas busca compreender o romance como expressão de uma época histórica. O texto revela a influência de Hegel, Kierkegaard e da tradição romântica, ao mesmo tempo em que antecipa preocupações que atravessariam toda a obra posterior do autor, especialmente sua crítica marxista.
A teoria do romance é um livro que ultrapassa os limites da crítica literária: é uma reflexão sobre a modernidade, sobre a perda da totalidade e sobre a função da arte em um mundo marcado pela alienação. Ao definir o romance como a epopeia de uma era sem deuses, Lukács oferece uma chave interpretativa que permanece fundamental para os estudos literários e filosóficos.