| Edição: 1ª |
| Publicação: 1 de janeiro de 2014 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 784 |
| Peso: 0.230 kg |
| Dimensões: 23 x 16 x 4 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8573265620 |
| ISBN-13: 9788573265620 |
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Nesta obra seminal do século XIV, Geoffrey Chaucer não apenas consolida o inglês médio como língua literária de prestígio, mas ergue um microcosmo da sociedade medieval em toda a sua complexidade, vício e virtude. A premissa de uma peregrinação ao santuário de Thomas Becket, na Cantuária, serve como o fio condutor que une figuras de estratos sociais díspares em uma competição de narrativa. A genialidade do autor reside na capacidade de conceder a cada personagem uma voz distinta, permitindo que o cavaleiro, a viúva de Bath, o moleiro e o fidalgo clérigo exponham suas visões de mundo através de fábulas, sermões e fabliaux. A prosa e o verso entrelaçam-se com uma vivacidade que rompe a rigidez das hagiografias tradicionais, revelando a pulsação de uma humanidade que tateia entre o sagrado e o profano.
O estilo de Chaucer caracteriza-se por uma ironia refinada que desmascara as hipocrisias eclesiásticas e as pretensões da pequena burguesia ascendente. Ao narrar as desventuras eróticas e as disputas de poder que permeiam os contos, o texto evita o julgamento moralista simplista, preferindo a observação aguda da natureza humana. A descrição dos peregrinos no Prólogo Geral funciona como uma galeria de retratos psicológicos de precisão quase cirúrgica; a riqueza de detalhes nas vestimentas e nos hábitos alimentares oferece uma textura realista que ancora o fantástico e o anedótico na materialidade da época. A linguagem oscila entre o registro elevado das epopeias clássicas e a crueza da fala popular, demonstrando uma versatilidade estilística que prefigura as grandes inovações da literatura renascentista.
O “Conto da Mulher de Bath” destaca-se como um momento de profunda subversão, no qual a autonomia da mulher e a natureza do casamento são discutidas com uma liberdade surpreendente. A defesa da experiência prática sobre a autoridade dos livros antigos confere à obra uma modernidade que desafia as convenções de gênero de seu tempo.
A estrutura inacabada dos contos sugere uma conversa que nunca se encerra, uma tapeçaria de relatos que reflete a impossibilidade de uma verdade única e absoluta. A influência de Chaucer estende-se por séculos, estabelecendo as bases para o desenvolvimento do realismo e da narrativa satírica na tradição ocidental.
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