Paraíso perdido - Milton, John

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Edição:
Publicação: 5 de novembro de 2015
Idioma: Português
Páginas: 896
Peso: 1.25 Kg
Dimensões: 23 x 15.6 x 4.4 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 8573266112
ISBN-13: 9788573266115

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Paraíso perdido - John Milton

A arquitetura da queda e a soberania da vontade

Publicado originalmente em 1667, o poema épico de John Milton representa o ápice da sofisticação teológica e literária da língua inglesa, transmutando a narrativa bíblica do Gênesis em um drama de proporções cósmicas. A obra não se limita a recontar a tentação de Adão e Eva; ela mergulha nas origens da rebelião celeste, conferindo a Satã uma estatura trágica e uma eloquência que desafiam a percepção tradicional do mal. A prosa, vertida em versos brancos de cadência majestosa, explora a tensão entre a onisciência divina e o livre-arbítrio das criaturas. Milton constrói um universo em que a liberdade é, simultaneamente, o dom mais precioso e o fardo mais devastador, situando o conflito primordial não apenas nos campos de batalha do céu, mas na consciência individual.

O esplendor das trevas e a retórica da rebeldia

O estilo de Milton caracteriza-se por um latinismo erudito e por inversões sintáticas que conferem ao texto uma gravidade monumental. Nas passagens que descrevem o Pandemônio e os conselhos infernais, o autor demonstra um domínio magistral da retórica, permitindo que as justificativas de Satã ressoem com uma lógica sedutora e melancólica. A descrição do Inferno afasta-se do pitoresco medieval para se tornar um estado psicológico de isolamento e orgulho ferido. Ao contrastar essa densidade sombria com a luminosidade lírica do Jardim do Éden, a obra estabelece uma dualidade estética que reflete as angústias políticas e religiosas da Inglaterra do século XVII, transformando a queda do homem em uma reflexão sobre a perda da inocência e a busca por uma restauração interior.

A figura do herói decaído

A construção de Satã como um protagonista complexo e dotado de uma determinação inquebrantável influenciou profundamente o movimento romântico. Sua recusa em servir e a preferência por reinar no abismo conferem à personagem uma profundidade que transcende a mera vilania, tornando-o um símbolo da resistência contra a autoridade absoluta.

A cosmogonia miltoniana

A organização do espaço no poema — dividida entre o Céu, o Inferno, o Caos e o Mundo recém-criado — funciona como um mapa das possibilidades existenciais. O Caos, em particular, surge como uma força informe e ameaçadora que exige a intervenção constante da vontade divina ou da ambição demoníaca para ser moldado.

“Paraíso perdido” é um dos maiores poemas épicos da literatura ocidental. A presente edição, bilíngue, traz a elogiada tradução do premiado poeta português Daniel Jonas, que segue de perto a versificação e a musicalidade do original. Completam o volume as notas e o posfácio do tradutor, uma apaixonada apresentação do crítico Harold Bloom, e a fantástica série de cinquenta ilustrações de Gustave Doré, publicadas em 1866.

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