| Edição: 1ª |
| Publicação: 1 de janeiro de 2016 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 176 |
| Peso: 0.210 kg |
| Dimensões: 20.8 x 13.8 x 1.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8573266368 |
| ISBN-13: 9788573266368 |
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Comprar Livro"Os gêneros do discurso" é uma coletânea de textos fundamentais do influente linguista, crítico literário e filósofo russo Mikhail Bakhtin (1895–1975). A obra é considerada essencial para um campo amplo de estudos, abrangendo desde a linguística até a teoria literária.
O volume, organizado e traduzido por Paulo Bezerra, apresenta os ensaios canônicos de Bakhtin : "Os gêneros do discurso" e "O texto na linguística, na filologia e em outras ciências humanas". A edição brasileira inclui, ainda, notas esclarecedoras de Serguei Botcharov, organizador da edição russa.
A tese central da obra é a abordagem dialógica bakhtiniana da linguagem e do texto. A obra postula que a língua só passa a integrar a vida e o mundo através dos enunciados concretos que a realizam.
O enunciado como unidade central: Bakhtin defende que a unidade real da comunicação verbal é o enunciado.
A natureza ativamente responsiva: A compreensão do enunciado é "ativamente responsiva"; toda compreensão é "prenhe de resposta" e obrigatoriamente a gera, transformando o ouvinte em falante. Esta "compreensão ativamente responsiva" é o que Bakhtin chama de "efeito provocador do enunciado" (dialogia). * Língua vs. Enunciado/Texto: O texto (ou enunciado) é conceitualmente diverso de um mero sistema de signos (palavras). Enquanto qualquer sistema de signos pode ser, em princípio, traduzido até o fim, o texto "nunca pode ser traduzido até o fim", pois não existe um potencial texto único dos textos.
A obra ainda apresenta outros dois textos inéditos no Brasil, "Diálogos", que serviram de base para a escrita de "Os gêneros do discurso" e esboçam a ideia de que a "própria língua" possui uma natureza dialógica.
O estudo do gênero é revolucionário. Bakhtin se opõe às tipologias discursivas clássicas (como as do sânscrito ou do classicismo) que possuíam uma finalidade prescritiva e normativa.
A Revolução copernicana do gênero: A noção bakhtiniana de gênero opera uma "revolução copernicana nos estudos discursivos". Ele reconhece que todos os diversos campos da atividade humana estão ligados ao uso da linguagem e que, em cada campo, existem e são empregados gêneros que correspondem às condições específicas desse campo, e a esses gêneros correspondem determinados estilos.
A crítica à noção de texto fechado: O princípio dialógico apaga as fronteiras do texto como uma totalidade fechada e problematiza sua visão esquemática. O texto é visto como um elo na cadeia comunicativa; o objeto texto é, no fundo, uma abstração, um recorte do real.
O autor dialógico: O texto, enquanto enunciado, é um fenômeno dialógico entre sujeitos, dentre eles o autor. Bakhtin cliva a figura do autor entre o "autor puro" (a pessoa que faz a obra) e a "imagem do autor" (o que se depreende dele a partir da obra).
Embora a obra seja um pouco desigual em assunto e conteúdo por ser uma compilação de ensaios e notas, contém percepções valiosas. Um fragmento importante presente na obra é a análise sobre o Bildungsroman (romance de formação).
Bakhtin traça as origens do gênero nos séculos XVI e XVII, rastreando seu desenvolvimento até o Período Clássico da Literatura Alemã.
É notável que Bakhtin não apenas nomeia romances conhecidos do gênero, mas também resgata obras esquecidas ou consideradas obscuras por críticos anteriores, como Lebensläufe in Aufstehender Linie, de Theodor Gottlieb von Hippel, Lebensgeschichte Tobias Knauts, de Johann Karl Wezel, e Titan, de Jean Paul.
Este ensaio é creditado por ajudar a redescobrir e dar o devido lugar a esses romances na história do Bildungsroman.
A obra de Bakhtin influenciou diversas disciplinas, como a história, a filosofia, a antropologia e a psicologia, e as tradições do marxismo, semiótica e religião. O volume é considerado um texto denso, escrito num estilo não muito diferente de uma exposição dialética (como a de Marx). No entanto, Bakhtin é elogiado por expor questões muito interessantes de forma clara e amplamente exemplificada.
A perspectiva dialógica continua a ter reverberações, desestabilizando conceitos naturalizados na linguística e consolidando-se em pesquisas sobre o ensino de língua portuguesa e a análise de gêneros do discurso.