O mestre e Margarida - Bulgákov, Mikhail

Edição:
Publicação: 13 de novembro de 2017
Idioma: Português
Páginas: 408
Peso: 0.580 kg
Dimensões: 22.8 x 15.6 x 2.2 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 8573266805
ISBN-13: 9788573266801

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O mestre e Margarida - Mikhail Bulgákov

Escrito entre 1928 e 1940, mas publicado apenas em 1966, O mestre e Margarida é uma das obras mais enigmáticas e fascinantes da literatura russa do século XX. Mikhail Bulgákov constrói um romance que desafia classificações, mesclando fantasia, sátira política, filosofia e misticismo. A trama se desenrola em Moscou, na década de 1920, quando o diabo, sob a forma de Woland, visita a cidade acompanhado de sua trupe grotesca e irresistivelmente cômica. Paralelamente, acompanhamos a história de amor entre o Mestre, escritor perseguido pela censura, e Margarida, que se entrega a pactos sobrenaturais para salvar o amado. O livro é uma crítica mordaz à hipocrisia e à repressão, mas também uma celebração da imaginação e da liberdade criadora.

A força de O mestre e Margarida reside em sua multiplicidade de camadas. Bulgákov articula três planos narrativos: a visita de Woland a Moscou, a paixão entre o Mestre e Margarida, e a reconstituição da história de Pôncio Pilatos e de Jesus, aqui chamado de Iéshua. Esses planos se entrelaçam em uma arquitetura literária que desafia o leitor, convidando-o a transitar entre o real e o fantástico, entre a sátira e a meditação metafísica.

O estilo de Bulgákov é marcado por uma ironia corrosiva, que expõe a mediocridade da burocracia soviética e a fragilidade das instituições diante do poder arbitrário. Ao mesmo tempo, há uma dimensão lírica e profundamente humana na relação entre o Mestre e Margarida, que se torna símbolo da resistência do amor e da arte contra a opressão.

A presença do diabo, longe de ser apenas uma figura maléfica, assume contornos ambíguos: Woland é ao mesmo tempo destruidor e revelador, capaz de expor as contradições da sociedade e de abrir espaço para a imaginação. Essa ambiguidade confere ao romance uma densidade filosófica que o aproxima das grandes obras da tradição ocidental, em que o mal não é apenas condenação, mas também instrumento de revelação.

Publicada em meio à censura e às mutilações impostas pelo regime soviético, a obra tornou-se símbolo da resistência artística e da luta pela liberdade de expressão. Sua recepção internacional consolidou Bulgákov como um dos grandes nomes da literatura moderna, capaz de criar um romance que se reinventa a cada leitura, sempre atual e sempre provocador.

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