O asno de ouro - Apuleio

Edição:
Publicação: 22 de novembro de 2019
Idioma: Português
Páginas: 480
Peso: 0.680 kg
Dimensões: 22.8 x 15.8 x 2.2 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 8573267488
ISBN-13: 9788573267488

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O asno de ouro - Apuleio

A odisseia da curiosidade e a redenção mística

Escrita no século II d.C., esta obra — originalmente intitulada Metamorfoses — permanece como o único romance em língua latina a chegar integralmente à posteridade, representando um mosaico vibrante da vida sob o Império Romano. A narrativa acompanha Lúcio, um jovem de insaciável curiosidade e inclinação para o oculto, que, ao tentar mimetizar um prodígio de feitiçaria, transforma-se acidentalmente em um asno. O enredo transcende a mera comédia picaresca; a condição animal de Lúcio funciona como uma metáfora da degradação humana pelos apetites sensoriais. Sob a pele de um quadrúpede, o protagonista torna-se um observador invisível das misérias, vícios e crueldades da sociedade de sua época, percorrendo um caminho de provações que culminará em uma das mais belas passagens de devoção religiosa da Antiguidade.

O realismo grotesco e a inserção do mito

Apuleio demonstra um domínio magistral da narrativa emoldurada, inserindo contos e anedotas que conferem ao texto uma textura densa e multifacetada. O estilo oscila entre o realismo bruto das tavernas e estradas infestadas de ladrões e o lirismo sublime de passagens como o célebre mito de "Cupido e Psique". Esta fábula central, narrada por uma velha a uma jovem cativa, espelha a própria jornada de Lúcio: a perda da graça pela curiosidade temerária e a posterior reconquista por meio do sofrimento e da persistência. A linguagem de Apuleio é barroca e exuberante, plena de arcaísmos e neologismos que refletem a efervescência cultural da África Romana, fundindo a sofisticação da retórica sofista com o misticismo das religiões de mistério.

A metamorfose como ascese espiritual

A transformação física em asno simboliza a queda do intelecto na animalidade dos instintos. Somente após experienciar a brutalidade do mundo e a exaustão da carne é que Lúcio torna-se apto a clamar pela intervenção divina, encontrando na figura de Ísis a mãe universal capaz de restituir-lhe a forma humana e conferir-lhe um novo propósito como iniciado.

A sátira social e o sagrado

O autor utiliza o humor e o absurdo para dissecar as falhas das instituições humanas, desde a corrupção dos sacerdotes de cultos efêmeros até a arbitrariedade da justiça. Contudo, o tom jocoso dissolve-se no último livro, onde a obra assume uma gravidade espiritual profunda, descrevendo com precisão arqueológica e fervor poético os ritos de iniciação egípcios que floresciam no coração de Roma.

Uma jornada fantástica e satírica que narra a transformação de um homem em asno como punição pela curiosidade imprudente, culminando em uma grandiosa redenção mística por meio do culto de Ísis. 

“O asno de ouro” é publicado aqui em edição bilíngue, com apresentação de Adriane da Silva Duarte, da Universidade de São Paulo, e tradução direta do latim realizada pela grande escritora Ruth Guimarães.

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