| Edição: 6ª |
| Publicação: 17 de setembro de 2021 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 160 |
| Peso: 0.40 kg |
| Dimensões: 20.57 x 13.72 x 1.02 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8574480975 |
| ISBN-13: 9788574480978 |
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Comprar LivroO livro "O país das neves" (雪国 - Yukiguni) é um romance do escritor japonês Yasunari Kawabata (1899–1972).
Publicado em partes entre 1935 e 1937 e depois reunido em forma de livro, este foi o romance que consolidou a fama de Kawabata e que o levou a ser o primeiro japonês a receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1968.
O título "Yukiguni" (país da neve) refere-se a uma remota região de águas termais no norte do Japão, famosa por suas nevascas intensas e isolamento.
A trama: a história se passa ao longo de vários anos e foca no relacionamento melancólico e não correspondido entre dois personagens:
Shimamura: um diletante rico e ocioso, teórico da dança ocidental, que vive em Tóquio e visita a região da neve periodicamente para escapar de sua vida.
Komako: uma gueixa local que trabalha nos Onsen (fontes termais). Ela é uma jovem intensa, culta e apaixonada, que tenta desesperadamente estudar música e escrever um diário em meio à sua vida de servidão.
O triângulo passivo: o relacionamento deles é complicado pela presença de Yōko, uma jovem misteriosa e etérea, cuja beleza e pureza fascinam Shimamura.
A obra de Kawabata é um expoente da estética japonesa do mono no aware (a beleza sutil e fugaz da transitoriedade) e do vazio.
A beleza inútil: Shimamura está fascinado pela beleza e pela paixão de Komako, mas ele a vê como uma obra de arte, algo belo e fútil. Ele é incapaz de se comprometer emocionalmente. A paixão de Komako é, para ele, "inútil", pois não tem propósito além de sua própria existência passageira.
O espelho e a luz: a imagem mais famosa do romance é a cena inicial no trem, onde Shimamura observa o reflexo do rosto de Yōko na janela do trem, sobreposto à paisagem noturna. Essa imagem de beleza refletida e distante simboliza a natureza intangível da beleza e do relacionamento entre os personagens.
A frieza emocional: o isolamento geográfico do país da neve serve como pano de fundo para o isolamento emocional de Shimamura, que se mantém frio e distante, incapaz de experimentar o amor genuíno.
Ao imergir nas páginas de "O país das neves", experimentamos uma travessia melancólica através do limiar entre a beleza e a vaidade. A narrativa, despojada de artifícios e quase pictórica, acompanha Shimamura em suas visitas à remota província nevada, onde ele se enreda na platônica obsessão por Kōmako, uma gueixa cuja arte e sacrifício ele aprecia com uma frieza quase científica. O verdadeiro fulcro da obra, contudo, reside na sensibilidade estética de Kawabata, que evoca um mundo onde a beleza é efêmera e condenada, refletida na paisagem invernal imutável, no tremeluzir fugaz da imagem no espelho e na incapacidade de Shimamura de transcender seu papel de observador passivo. A prosa atinge uma delicadeza lírica que captura o mono no aware (a pathos das coisas), deixando no leitor a impressão duradoura de um amor que nunca se realiza, de uma tristeza intrínseca à própria beleza e de uma inação existencial sob o manto branco do tempo.