| Edição: 2ª |
| Publicação: 30 de março de 2021 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 304 |
| Peso: 0.450 kg |
| Dimensões: 22.8 x 16.2 x 1.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8574481955 |
| ISBN-13: 9788574481951 |
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Em “Ira e tempo”, Peter Sloterdijk empreende uma investigação filosófica e psicológica sobre a ira, entendida não apenas como emoção individual, mas como energia política e histórica. O autor examina como o ressentimento, a cólera e o desejo de vingança moldaram sociedades, revoluções e projetos coletivos. A ira, longe de ser mero impulso irracional, é apresentada como um recurso que, ao ser acumulado e canalizado, transforma-se em motor de ação e em fundamento de instituições.
Sloterdijk introduz a ideia de um “banco da ira”, metáfora para a forma como comunidades armazenam e administram ressentimentos ao longo do tempo. Assim como o capital financeiro, a ira pode ser investida, acumulada e redistribuída, tornando-se um elemento estruturante da política. Essa concepção revela como movimentos sociais e ideológicos se alimentam de reservas emocionais, que conferem coesão e força às coletividades.
O autor traça uma genealogia que vai da tradição bíblica, em que a ira divina legitima a justiça, até os movimentos revolucionários modernos, que mobilizam a cólera popular contra sistemas de opressão. A ira, nesse percurso, deixa de ser apenas atributo dos deuses e passa a ser instrumento humano de transformação, ainda que muitas vezes destrutiva.
Sloterdijk enfatiza que a ira não se manifesta apenas no instante, mas se prolonga no tempo, sendo cultivada e transmitida entre gerações. O tempo, nesse sentido, é o elemento que transforma a emoção em força histórica, permitindo que ela se acumule e se converta em ação organizada. Essa perspectiva confere à obra um caráter político-psicológico singular, em que emoção e temporalidade se entrelaçam.
“Ira e tempo” é um ensaio que desafia o leitor a pensar a política não apenas em termos de instituições e ideologias, mas também como economia das paixões. Sloterdijk revela como a ira, ao ser administrada e canalizada, pode tanto fundar projetos coletivos quanto corroer sociedades. Trata-se de uma obra que ilumina a dimensão afetiva da história e convida à reflexão sobre o papel das emoções na construção do mundo político.
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