| Edição: 1ª |
| Publicação: 12 de janeiro de 2016 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 248 |
| Peso: 0.320 kg |
| Dimensões: 21 x 13.8 x 1.6 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8574788414 |
| ISBN-13: 9788574788418 |
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Comprar LivroA obra constitui um esforço intelectual de fôlego para elucidar uma das trajetórias mais complexas da filosofia contemporânea: o pensamento de Martin Heidegger em sua fase fundamental. Simon Critchley e Reiner Schürmann, ambos herdeiros e críticos da tradição fenomenológica, propõem uma leitura que não apenas reconstrói os argumentos de Ser e tempo, mas os situa dentro de uma economia da história da ontologia. A erudição do texto manifesta-se na capacidade de decifrar o hermetismo heideggeriano, transformando conceitos como o "ser-no-mundo" e a "finitude" em ferramentas de análise para a condição humana moderna. Schürmann, em especial, traz sua perspectiva sobre a anarquia dos princípios, enquanto Critchley foca na dimensão ética e política que emana da falta de fundamento do Dasein.
O texto evita a paráfrase simplista, optando por uma análise rigorosa das estruturas da cotidianidade e da temporalidade. Os autores demonstram como Heidegger opera uma destruição da metafísica tradicional para revelar o ser como um evento temporal, e não como uma presença eterna. A qualidade editorial da obra reside na clareza com que as tensões entre a autenticidade e o impessoal são exploradas, oferecendo ao leitor um guia seguro por um território marcado por neologismos e reviravoltas lógicas. A prosa mantém uma sobriedade acadêmica que, contudo, não se furta a apontar as aporias e os riscos políticos inerentes ao pensamento do filósofo alemão.
A segunda parte do volume dedica-se a examinar o impacto de Heidegger no pensamento posterior, especialmente na desconstrução e no pós-estruturalismo. Critchley e Schürmann analisam como a pergunta pelo sentido do ser se desdobra em uma crítica à técnica e ao humanismo clássico. A técnica narrativa dos autores equilibra a exposição técnica com o comentário crítico, permitindo que a obra funcione tanto como uma introdução avançada quanto como um ensaio original sobre a finitude. A discussão sobre a "angústia" e o "ser-para-a-morte" é tratada com profundidade, conectando a ontologia fundamental às questões da liberdade e da responsabilidade em um mundo privado de deuses.
A relevância desta obra reside na sua capacidade de mostrar que o diálogo com Heidegger ainda é indispensável para compreender a crise da racionalidade ocidental. A ausência de adjetivações vãs reforça o peso das ideias apresentadas, conduzindo o leitor a uma reflexão sobre como o tempo e a morte definem a nossa abertura para o mundo. Ao final, o livro de Critchley e Schürmann não apenas explica Heidegger, mas demonstra como pensar com e contra ele, consolidando-se como uma peça essencial para quem busca navegar pelas correntes mais profundas da filosofia do século XX.