| Edição: 2ª |
| Publicação: 29 de outubro de 2019 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 384 |
| Peso: 0.520 kg |
| Dimensões: 21 x 14 x 2.6 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 8576574586 |
| ISBN-13: 9788576574583 |
Leve este livro para casa hoje
Este artigo contém links afiliados. Como associado(s)
da Amazon, ganhamos comissões pelas compras qualificadas.
VER PREÇO NA AMAZON
Nesta obra seminal da ficção científica especulativa, Ursula K. Le Guin empreende uma investigação profunda sobre a natureza da liberdade e as estruturas de poder que definem a civilização. A narrativa alterna-se entre dois mundos gêmeos, Urras e Anarres, que funcionam como espelhos antagônicos de organização social. Enquanto Urras é um planeta de exuberância material, estratificação de classes e capitalismo voraz, Anarres representa uma colônia anarquista e austera, fundada sob o princípio da posse nula e da cooperação mútua. O protagonista, Shevek, um físico teórico cuja busca pela “Teoria da Unicidade” transcende fronteiras físicas, torna-se o elo de ligação e o catalisador de um questionamento sobre as prisões invisíveis que habitam tanto a abundância quanto a escassez.
O estilo de Le Guin é depurado e introspectivo, fugindo dos tropos comuns do gênero para focar na antropologia e na filosofia. A autora utiliza o conceito de tempo não linear — uma característica da própria física de Shevek — para estruturar o romance, permitindo que o leitor perceba a evolução do pensamento do herói em paralelo com a estagnação das sociedades que ele habita. A linguagem é precisa, elegante e desprovida de adornos desnecessários, refletindo a própria filosofia “odonianista” de Anarres, onde o excesso é visto como uma forma de exílio espiritual.
A análise sociológica de Os despossuídos revela que nenhuma utopia é estática ou imune à corrupção interna. Em Anarres, a ausência de leis formais deu lugar a uma tirania do costume e da opinião pública, onde o “egoísmo” é o maior tabu e a inovação intelectual de Shevek é vista como uma ameaça à coesão do grupo. Em contrapartida, Urras oferece a liberdade individual plena, mas apenas para aqueles que possuem os meios de comprá-la, mantendo uma massa de despossuídos sob o jugo da desigualdade sistêmica. A jornada de Shevek é, portanto, a de um “andante”, um homem que pertence a ambos os mundos e a nenhum, buscando a síntese entre a responsabilidade social e a integridade da consciência.
A obra explora a ambiguidade do termo “despossuído”: ser livre da posse é uma libertação ou uma privação? Le Guin sugere que a verdadeira revolução não é um evento histórico concluído, mas um processo contínuo de autocrítica e renovação. Através da física e da política, a autora constrói uma metáfora poderosa sobre o ato de atravessar muros — sejam eles de pedra, ideológicos ou mentais — e a necessidade de reconhecer que a promessa de um mundo melhor exige, invariavelmente, o sacrifício da segurança em favor da verdade.
Conteúdo patrocinado: link de afiliado Amazon