| Edição: 1ª |
| Publicação: 29 de abril de 2026 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 336 |
| Peso: 0.460 kg |
| Dimensões: 14 x 2 x 21 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 8576578301 |
| ISBN-13: 9788576578307 |
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Publicado em 1951, “O dia das trífides” é uma das obras mais emblemáticas da ficção científica britânica do pós-guerra. John Wyndham constrói um cenário em que a humanidade, após um misterioso fenômeno celeste que cega grande parte da população, vê-se subitamente vulnerável diante de criaturas vegetais dotadas de mobilidade e agressividade: os trífides. A narrativa acompanha Bill Masen, um sobrevivente que, ao manter sua visão, torna-se testemunha da lenta dissolução da ordem social e da ascensão de um novo tipo de ameaça.
Wyndham emprega uma linguagem clara, mas impregnada de tensão, que transforma o cotidiano em matéria de inquietação. Sua prosa, ao mesmo tempo sóbria e evocativa, revela a fragilidade das estruturas humanas quando confrontadas com o inesperado. O autor não se limita a criar monstros vegetais: ele os utiliza como metáfora da vulnerabilidade civilizatória, expondo como o colapso pode nascer tanto de forças externas quanto da própria incapacidade humana de se reorganizar diante da crise.
A súbita perda da visão coletiva é mais do que um recurso narrativo: é uma alegoria da dependência humana de certezas e da fragilidade da percepção. Wyndham sugere que, privados de sua capacidade de ver, os homens tornam-se presas fáceis não apenas dos trífides, mas também de seus próprios medos e impulsos.
O romance descreve com precisão o desmoronamento das instituições e da vida urbana. A cegueira em massa desencadeia o caos, e a sociedade, incapaz de se adaptar, mergulha em disputas, violência e desespero. Nesse contexto, os trífides surgem como catalisadores de uma nova ordem, impondo ao homem a necessidade de repensar sua relação com o mundo natural.
“O dia das trífides” transcende o rótulo de ficção apocalíptica ao oferecer uma reflexão sobre a fragilidade da civilização e sobre a tênue linha que separa o humano do caos. Wyndham, com sua habilidade narrativa, transforma uma premissa fantástica em uma parábola sobre a condição humana, revelando que o verdadeiro perigo não reside apenas nos monstros, mas na incapacidade de enfrentar o desconhecido com lucidez e solidariedade.
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