| Edição: 1ª |
| Publicação: 4 de setembro de 2017 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 192 |
| Peso: 0.499 kg |
| Dimensões: 21.4 x 14 x 1.6 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 8578601955 |
| ISBN-13: 9788578601959 |
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Em Os quatro amores (The Four Loves), publicado em 1960, C. S. Lewis exercita sua maestria analítica e literária para distinguir as diferentes formas de amor que compõem a experiência humana. Partindo de uma distinção fundamental entre o “amor-necessidade” (aquele que busca suprir uma carência) e o “amor-doação” (aquele que transborda da própria plenitude), Lewis categoriza os afetos em quatro níveis: a Afeição (Storge), a Amizade (Philia), o Eros e a Caridade (Agápē). A erudição da obra reside na forma como o autor demonstra que os amores naturais, embora belos e nobres, tendem a se tornar demoníacos e destrutivos quando perdem sua referência no amor divino, pretendendo para si uma autoridade absoluta que não possuem.
O autor argumenta que o amor humano, deixado por conta própria, torna-se uma forma de idolatria. Somente através da ordenação dos afetos — o conceito agostiniano de ordo amoris — é que os amores naturais podem florescer sem sufocar a alma ou o objeto amado.
Lewis inicia sua análise pela Afeição, o amor mais humilde e comum, baseado na familiaridade e no instinto. Em seguida, ele eleva-se à Amizade, a qual descreve como o mais “espiritual” dos amores naturais, por ser o menos biológico e o mais livre. Para Lewis, a amizade nasce quando dois indivíduos descobrem que compartilham uma verdade ou um interesse comum que os outros ignoram. Já o Eros é tratado como a força que transfigura o desejo sexual em uma devoção mística ao outro; todavia, Lewis adverte que o Eros é o amor que mais facilmente promete uma divindade que não pode cumprir, exigindo uma disciplina moral constante para não se converter em tirania passional.
A qualidade editorial do texto destaca-se pela honestidade psicológica com que o autor expõe as patologias de cada amor: o ciúme na afeição, a exclusividade elitista na amizade e a crueldade no Eros mal direcionado. Lewis utiliza sua vasta bagagem poética e teológica para mostrar que o ser humano é uma criatura que ama “por reflexo”, e que a tentativa de encontrar a satisfação última em qualquer criatura finita é um erro de perspectiva que conduz inevitavelmente à decepção.
A obra culmina na análise da Caridade, o amor cristão por excelência. Diferente dos amores naturais, a Caridade é um dom divino que capacita o homem a amar o que não é naturalmente amável e a buscar o bem do outro sem esperar retribuição. Lewis postula que a Caridade não substitui os outros amores, mas os “salva” de si, conferindo-lhes uma estabilidade e uma pureza que eles não possuem de forma autônoma. É a Caridade que permite ao homem amar o próximo com a liberdade de quem já foi amado por Deus.
A resenha desta obra revela um Lewis profundamente humano e consciente das fragilidades do coração. Ele conclui que o risco de amar é a vulnerabilidade; proteger o coração de toda dor é, em última análise, condená-lo a um estado de infernal isolamento. Os quatro amores permanece como um guia indispensável para a compreensão das relações humanas sob a luz da eternidade, reafirmando que o amor só atinge sua estatura plena quando reconhece sua dependência da Fonte original de todo amor.
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