| Edição: 1ª |
| Publicação: 3 de setembro de 2018 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 144 |
| Peso: 0.420 kg |
| Dimensões: 21.4 x 14 x 1.4 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 8578607597 |
| ISBN-13: 9788578607593 |
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Comprar LivroEscrito em 1958, o ensaio A última noite do mundo (The World’s Last Night) representa uma das reflexões mais maduras de C. S. Lewis sobre a doutrina cristã da Segunda Vinda de Cristo. Com a acuidade intelectual que lhe era característica, Lewis confronta a relutância do homem moderno em lidar com o conceito do fim dos tempos, que muitos consideram uma herança arcaica ou um entrave ao progresso civilizacional. O autor argumenta que a crença na transitoriedade do mundo não é um convite ao niilismo ou à alienação, mas, pelo contrário, o fundamento necessário para uma ética de vigilância e responsabilidade no presente.
A erudição desta obra manifesta-se na crítica de Lewis ao "cientificismo" e à ideia de um progresso infinito e autossuficiente da humanidade. Para Lewis, a incerteza sobre o momento exato do fim do mundo é uma ferramenta pedagógica divina para manter a alma humana em um estado de prontidão moral, impedindo que nos acomodemos na ilusão de que temos todo o tempo à nossa disposição para realizar a vontade de Deus.
Lewis dedica uma parte significativa do texto à análise de como a estrutura da sociedade moderna conspira contra a reflexão escatológica. Ele observa que o ruído constante, a busca incessante por novidades e a obsessão por planejamentos a longo prazo funcionam como mecanismos de defesa contra a realidade da nossa finitude. O autor sugere que o cristão deve viver em uma "tensão criativa": planejar o futuro como se o mundo fosse durar séculos, mas manter a alma limpa como se o mundo fosse acabar na próxima noite.
Outro ponto de destaque é a análise sobre a eficácia da oração e a soberania divina. Lewis aborda a tensão entre a petição humana e o plano estabelecido de Deus, alertando contra a tentação de tratar a divindade como um mecanismo que pode ser manipulado pela técnica ou pela insistência. Ele reforça que a verdadeira religiosidade reside na submissão e na confiança, especialmente diante do desconhecido. A obra alerta que a "última noite" não será um evento negociável ou previsível por cálculos humanos, mas uma intervenção soberana que exigirá de cada indivíduo uma prestação de contas sobre a sinceridade de seu coração.
A qualidade editorial de A última noite do mundo é elevada pela capacidade de Lewis em unir o rigor da lógica anglicana com a sensibilidade de um mestre da literatura fantástica. Ele utiliza analogias brilhantes para explicar por que a aparente "demora" do fim não é evidência de sua inexistência, comparando a história humana a uma peça de teatro onde os atores não sabem em que momento o autor decidirá baixar as cortinas. Para Lewis, o fim do mundo é o clímax de uma história que faz sentido apenas quando vista sob a perspectiva do Criador.
A obra conclui com uma mensagem de esperança severa. O fim do mundo não é visto como uma catástrofe sombria, mas como o momento em que a Realidade definitiva se imporá sobre as sombras do tempo. Lewis deixa claro que a expectativa da "última noite" deve produzir no homem não o pânico, mas uma sobriedade alegre, capacitando-o a amar o mundo sem se tornar escravo dele. É um convite para que a humanidade desperte de seu sono materialista e reconheça que cada momento carrega em si o peso da eternidade.