Ó Sonho Branco de Quermesse - Azevedo, Alexandre

Publicação: 29 de janeiro de 2021
Idioma: Português
Páginas: 80
Peso: 0.109 kg
Dimensões: 13.97 x 0.48 x 20.96 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 8578650786
ISBN-13: 9788578650780

Quer comprar este livro?

Comprar Livro

Ó Sonho Branco de Quermesse - Alexandre Azevedo

A lírica do cotidiano e o resgate da memória afetiva

Nesta obra de delicada tessitura poética e narrativa, Alexandre Azevedo convida o leitor a um mergulho em uma atmosfera de nostalgia e lirismo que remete às tradições mais profundas do interior brasileiro. "Ó Sonho Branco de Quermesse" não é apenas um título evocativo; é a síntese de uma estética que busca na simplicidade das festas populares, nos altares enfeitados e no perfume do algodão-doce a matéria-prima para uma reflexão sobre a transitoriedade do tempo. Com uma linguagem culta que preserva o frescor da fala regional, o autor edifica um universo onde o sagrado e o profano se abraçam sob as bandeirolas coloridas, revelando a alma de um Brasil que resiste ao esquecimento através da manutenção de seus ritos de comunhão.

A arquitetura da festa e a sociologia do encontro

A obra explora com minúcia os elementos que compõem o cenário da quermesse, elevando cada objeto e personagem à categoria de símbolo. Azevedo descreve a montagem das barracas, o burburinho das prendas e a expectativa dos sorteios como atos de uma liturgia social que reforça os laços de identidade comunitária. A análise do autor mergulha na psicologia dos frequentadores: do jovem em busca do primeiro flerte à senhora devota que cuida da imagem do santo, todos são peças de um mosaico humano vibrante. O texto detalha como esses espaços de celebração funcionam como zonas de suspensão do cotidiano árduo, permitindo que o "sonho branco" — metáfora da pureza, da paz ou da própria efemeridade da alegria — se manifeste, ainda que por poucas horas, na praça da matriz.

O diálogo com a tradição literária e o sentimento de pertencimento

Alexandre Azevedo demonstra, ao longo das páginas, uma profunda afinidade com a linhagem de escritores que cantaram o Brasil interiorano, dialogando sutilmente com a herança de nomes como Cora Coralina ou Manuel Bandeira. A obra transcende a mera descrição pitoresca para tocar em questões universais como o pertencimento e a saudade. O autor utiliza a quermesse como um microcosmo da vida humana, com suas esperanças renovadas e suas pequenas decepções. Ao concluir, o livro deixa a sensação de que, embora os tempos mudem e a modernidade avance sobre as tradições, o espírito do "sonho branco" permanece como uma âncora emocional, um refúgio de beleza e simplicidade que continua a dar sentido à jornada coletiva de um povo.

Mais livros