| Edição: 1ª |
| Publicação: 23 de junho de 2014 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 336 |
| Peso: 0.440 kg |
| Dimensões: 23 x 15 x 1.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8579623081 |
| ISBN-13: 9788579623080 |
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Haruki Murakami, mestre do realismo fantástico japonês, entrega nesta obra o encerramento da chamada “Trilogia do Rato”, embora o livro subsista como uma entidade autônoma de profunda força onírica. A narrativa acompanha um protagonista anônimo, um publicitário cujo cotidiano medíocre é estilhaçado quando uma figura sinistra do submundo político o obriga a localizar um carneiro específico — um animal mítico com uma mancha em forma de estrela, que parece possuir e conferir um poder absoluto àqueles que o hospedam. Com uma linguagem culta e melancólica, Murakami subverte a estrutura do romance policial para construir uma jornada existencialista, em que o território geográfico de Hokkaido torna-se um espelho para os abismos da consciência e da solidão contemporânea.
O autor explora com minúcia a tensão entre a realidade palpável e o sobrenatural que se infiltra pelas frestas do comum. O carneiro, mais do que um animal, é erigido como um arquétipo de ambição e controle, uma força que atravessa a história moderna do Japão, deixando um rastro de mediocridade e ruína. A prosa de Murakami percorre hotéis decadentes, montanhas gélidas e diálogos repletos de um vazio poético, oferecendo considerações detalhadas sobre a perda de identidade e a desconexão entre os indivíduos. Por meio do amigo desaparecido do protagonista, o autor disseca a dor da renúncia e o preço de se recusar a participar de um sistema que exige a entrega da própria alma.
Fiel ao seu estilo, Murakami permeia a obra com referências musicais e gastronômicas que servem como âncoras para personagens à deriva. A música não é apenas trilha sonora, mas uma manifestação da rítmica interna do romance, pontuando os momentos de introspecção e as revelações que ocorrem no silêncio das paisagens isoladas do norte japonês.
Ao concluir esta caçada, o autor não oferece o fechamento convencional do gênero; em vez disso, ele deixa o leitor no limiar de uma compreensão intuitiva sobre a natureza da vontade e do sacrifício. Suas considerações finais sugerem que o verdadeiro carneiro é a busca incessante por um propósito em um mundo despojado de mitos, em que a única redenção possível reside na aceitação das próprias perdas. A obra é um monumento à literatura pós-moderna, unindo a cultura pop ocidental à tradição japonesa de mistério espiritual. É um convite a olhar para as manchas em forma de estrela que carregamos internamente e a reconhecer que, muitas vezes, somos apenas os pastores de nossos próprios fantasmas.
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