| Edição: 1ª |
| Publicação: 20 de setembro de 2012 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 960 |
| Peso: 0.4 kg |
| Dimensões: 23.2 x 15.8 x 4.8 cm |
| Formato: Brochura / Capa comum |
| ISBN-10: 8581051138 |
| ISBN-13: 9788581051130 |
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Comprar LivroPublicado em 2009, Sob a Redoma é um dos romances mais ambiciosos de Stephen King, tanto em escopo quanto em densidade narrativa. Com mais de 950 páginas e cerca de 60 personagens relevantes, o livro transforma a cidade fictícia de Chester’s Mill, no Maine, em um microcosmo de tensão social, política e existencial.
A premissa é simples e brutal: em um dia comum, uma redoma invisível e impenetrável desce sobre a cidade, isolando-a completamente do mundo exterior. Aviões colidem, animais são cortados ao meio, e o caos se instala. Mas o verdadeiro horror não está na redoma — está sob ela. King usa o confinamento como catalisador para revelar o pior (e o melhor) do ser humano.
O protagonista, Dale “Barbie” Barbara, é um ex-militar que se vê forçado a liderar a resistência contra o poder local. O antagonista, James “Big Jim” Rennie, é um político corrupto e manipulador que aproveita o isolamento para instaurar um regime autoritário. A disputa entre os dois é o eixo moral da narrativa, mas o livro vai muito além: explora fanatismo religioso, colapso institucional, violência doméstica, degradação ambiental e a fragilidade da ordem social.
King constrói a trama com múltiplos pontos de vista, alternando entre personagens de todas as idades e classes sociais. Essa técnica amplia a tensão e permite que o leitor acompanhe o desmoronamento da cidade por dentro — como se estivesse preso com os habitantes. A escrita é ágil, visual e carregada de crítica: Sob a Redoma é, em essência, uma alegoria sobre o poder, o medo e a responsabilidade coletiva.
Apesar da premissa fantástica, o romance é profundamente realista em sua abordagem dos conflitos humanos. A redoma funciona como metáfora para bolhas ideológicas, isolamento político e colapsos morais — temas que ressoam com força em tempos de crise. A adaptação televisiva, lançada pela CBS em 2013, falhou em capturar essa complexidade, diluindo o impacto da obra original.
Sob a Redoma é um estudo de caso sobre o que acontece quando o mundo encolhe e os monstros deixam de ser sobrenaturais — porque já estavam entre nós o tempo todo.
O estilo narrativo de Sob a Redoma é um dos mais complexos e ambiciosos que Stephen King já construiu. Ele utiliza uma narrativa em terceira pessoa onisciente com foco múltiplo, mas com nuances que merecem destaque:
Terceira pessoa onisciente: O narrador tem acesso aos pensamentos, emoções e motivações de diversos personagens, alternando entre eles com fluidez. Isso permite uma visão panorâmica da cidade e dos conflitos internos de cada figura.
Foco múltiplo e fragmentado: King não segue um protagonista único. Embora Dale “Barbie” Barbara seja um eixo moral, a narrativa se constrói por meio de dezenas de personagens — jornalistas, médicos, adolescentes, políticos, religiosos — cada um oferecendo uma lente diferente sobre o colapso social.
Corte cinematográfico: A alternância de cenas e pontos de vista lembra a montagem de um filme ou série, com cortes rápidos entre núcleos e eventos simultâneos. Isso intensifica o ritmo e a sensação de urgência.
Narrador com ironia sutil: Em alguns momentos, o narrador adota um tom levemente sarcástico ou crítico, especialmente ao descrever figuras como Big Jim Rennie ou os efeitos da redoma sobre a moralidade local.
Múltiplas vozes: A cidade de Chester’s Mill funciona como um personagem coletivo. A narrativa se fragmenta em vozes (romance coral, polifonia) que, juntas, compõem um retrato psicológico e político da comunidade em crise.