| Edição: 1ª |
| Publicação: 1 de janeiro de 2017 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 176 |
| Peso: 0.260 kg |
| Dimensões: 22.61 x 15.24 x 1.52 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8581862586 |
| ISBN-13: 9788581862583 |
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Comprar LivroNesta obra de 1748, David Hume empreende uma das revisões mais drásticas da história da filosofia, propondo uma ciência do homem baseada exclusivamente na observação e na experiência. Com uma prosa elegante e acessível, Hume rompe com a metafísica especulativa para investigar os limites do entendimento humano. O ponto de partida é a distinção fundamental entre "impressões" e "ideias": as primeiras são as nossas percepções vivas, como as sensações e emoções imediatas; as segundas são meras cópias pálidas e enfraquecidas dessas impressões, guardadas pela memória ou combinadas pela imaginação. Para Hume, o pensamento humano é um arquiteto que só pode construir com os materiais fornecidos pelos sentidos.
A qualidade editorial do argumento humiano revela-se na sua capacidade de simplificar problemas complexos sem perder a profundidade. Ele estabelece que todas as nossas ideias, por mais abstratas que pareçam, possuem uma gênese empírica. Se uma ideia não puder ser rastreada até uma impressão sensível correspondente, ela deve ser considerada desprovida de significado real, um resquício de uma filosofia "obscura e supersticiosa".
O núcleo mais subversivo da Investigação reside na crítica ao conceito de causalidade. Hume observa que nunca percebemos a "conexão necessária" entre dois eventos; percebemos apenas a sua sucessão constante. O fato de uma bola de bilhar mover-se ao ser atingida por outra é um fenômeno que observamos repetidamente, mas a razão, por si só, jamais poderia deduzir o efeito apenas pela análise da causa. Hume argumenta que a nossa crença na causalidade não é fruto de uma intuição lógica, mas sim do "costume" ou "hábito".
Essa conclusão desloca o fundamento do conhecimento humano da razão para a natureza biológica e psicológica. Se acreditamos que o futuro será semelhante ao passado — por exemplo, que o sol nascerá amanhã ou que a água nos saciará a sede —, fazemo-lo por uma necessidade instintiva essencial para a nossa sobrevivência, embora careça de uma justificativa racional absoluta. É este "ceticismo mitigado" que define a originalidade de Hume: reconhecer as limitações do intelecto sem paralisar a ação humana.
Para organizar o campo do saber, Hume propõe uma distinção célebre, conhecida como a "Bifurcação de Hume". Ele divide o conhecimento em dois domínios: as "relações de ideias", que incluem a lógica e a matemática, e são verdadeiras por definição e necessidade intuitiva; e as "questões de fato", que dependem da experiência e cujos contrários são sempre possíveis. Enquanto é impossível conceber que três vezes cinco não seja quinze, é perfeitamente possível conceber que o sol não nascerá amanhã, embora a experiência nos diga o contrário.
Ao concluir a obra, Hume lança um desafio às bibliotecas: qualquer volume que não contenha raciocínios abstratos sobre quantidade e número, nem raciocínios experimentais sobre questões de fato e existência, deve ser entregue às chamas, pois não passa de sofisma e ilusão. História e ciência natural tornam-se, assim, os verdadeiros pilares do conhecimento, enquanto a metafísica tradicional é relegada ao esquecimento.