| Edição: 1ª |
| Publicação: 6 de outubro de 2015 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 112 |
| Peso: 0.130 kg |
| Dimensões: 19.8 x 12.6 x 0.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8582850212 |
| ISBN-13: 9788582850213 |
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Comprar LivroPublicada em 1860, esta novela é amplamente considerada a obra-prima da prosa curta de Ivan Turguêniev e uma das mais refinadas explorações psicológicas da literatura russa. Narrada sob a forma de uma memória retrospectiva por Vladimir Petróvitch, a trama recua até o seu décimo sexto ano de vida, durante um verão nos arredores de Moscou, onde ele se apaixona perdidamente por Zinaida Aleksándrovna, uma jovem vizinha bela, empobrecida e cercada por um séquito de admiradores. A erudição do texto manifesta-se na capacidade de Turguêniev de capturar a transição da infância para a maturidade, não por meio de grandes eventos históricos, mas por meio das flutuações sutis do desejo, da vaidade e da dor.
A técnica narrativa de Turguêniev, marcada por um realismo poético e uma sobriedade elegante, evita o excesso de sentimentalismo para focar na crueza da experiência emocional. Zinaida é apresentada como uma figura complexa, que exerce um poder quase despótico sobre seus pretendentes, submetendo-os a jogos de humilhação e encanto. O jovem Vladimir, em sua inocência, torna-se um observador e participante desse teatro de paixões, descobrindo que o amor não é apenas uma fonte de prazer, mas uma força devastadora que revela as fraquezas e as contradições do caráter humano.
O cerne trágico da obra reside na descoberta de que o rival de Vladimir pelo amor de Zinaida é o seu próprio pai, Piotr Vassílievitch. Este triângulo amoroso involuntário serve como catalisador para a desilusão do protagonista e para a compreensão da natureza complexa da autoridade paterna. A qualidade editorial do pensamento de Turguêniev revela-se na forma como ele descreve o pai de Vladimir: um homem de beleza aristocrática e frieza emocional, cuja paixão secreta por Zinaida é marcada por uma violência contida e um desejo de posse que contrasta com o idealismo do filho.
A cena em que Vladimir testemunha, escondido, o encontro entre seu pai e Zinaida — onde o chicote e o beijo se fundem — simboliza a entrada violenta do jovem no mundo adulto, onde o amor e a dor são inseparáveis. A sobriedade da prosa sublinha a melancolia da passagem do tempo; o autor reforça que a juventude é um estado efêmero e o "primeiro amor" é, essencialmente, a primeira grande perda. Primeiro amor permanece como um documento literário fundamental sobre a fragilidade dos sentimentos humanos e a inescapável influência do passado sobre o presente.