Um retrato do artista quando jovem - Joyce, James

E-book, capa-dura, brochura [Ver todos os formatos]

Edição:
Publicação: 12 de agosto de 2016
Idioma: Português
Páginas: 320
Peso: 0.310 kg
Dimensões: 20 x 13 x 1.6 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 8582850387
ISBN-13: 9788582850381

Leve este livro para casa hoje
Este artigo contém links afiliados. Como associado(s)
da Amazon, ganhamos comissões pelas compras qualificadas.

VER PREÇO NA AMAZON

Um retrato do artista quando jovem - James Joyce

A gênese da consciência e a evolução do fluxo narrativo

Publicado em 1916, Um retrato do artista quando jovem é a obra que estabelece James Joyce como o grande inovador da prosa modernista, funcionando como um prelúdio espiritual e estilístico ao monumental Ulysses. O romance narra a formação de Stephen Dedalus, alter ego do autor, desde a sua infância em Dublin até a decisão de partir para o exílio em busca da liberdade criativa. A singularidade da estratégia narrativa de Joyce reside na mimetização da linguagem com o amadurecimento do protagonista: a obra inicia-se com uma sintaxe infantil e sensorial — a famosa passagem da “vaquinha” e do “moço gentil” — e evolui gradualmente para uma prosa densa, intelectualizada e repleta de silogismos escolásticos à medida que Stephen se desenvolve.

A trajetória de Stephen é marcada pelo esforço constante de se desvencilhar das “redes” que tentam aprisionar sua alma: a nacionalidade, a língua e a religião. O autor descreve com uma vivacidade perturbadora a influência esmagadora da Igreja Católica na Irlanda, exemplificada pelo terrível sermão sobre o inferno que mergulha o jovem em um ciclo de culpa e ascetismo punitivo. Esta fase de repressão espiritual é fundamental para a construção do herói, pois é através do confronto com o dogma que ele descobre que sua verdadeira vocação não reside no sacerdócio, mas na arte. A epifania na praia, ao observar uma jovem na água, transfigura o sagrado em estético, consolidando sua identidade como criador.

A estética do exílio e a autonomia da palavra

Ao atingir a maturidade universitária, a argumentação de Dedalus torna-se um exercício de erudição tomista subvertida, onde ele formula suas teorias sobre a natureza da beleza e a finalidade da arte. Joyce utiliza o diálogo com seus pares para expor a necessidade de o artista tornar-se “invisível”, tal como um Deus que, após a criação, permanece indiferente, cortando as unhas. Esta busca por uma objetividade estética é o que conduz Stephen ao seu inevitável distanciamento da política nacionalista irlandesa e do provincianismo de sua família. O exílio não é visto como uma fuga, mas como a única condição possível para que o artista possa “forjar na forja de sua alma a consciência incriada de sua raça”.

A estrutura do livro, dividida em cinco capítulos que funcionam como estágios de uma metamorfose, revela a maestria de Joyce em capturar a fragmentação da identidade moderna. A obra encerra-se com trechos de um diário, onde a voz narrativa finalmente se liberta da terceira pessoa para assumir o “eu” absoluto da criação literária. A partida de Stephen de Dublin simboliza o rompimento com o passado e a aceitação da solidão como preço da autenticidade. Mediante Dedalus, Joyce redefine o conceito de Bildungsroman (romance de formação), provando que o nascimento de um artista exige a destruição sistemática de todas as amarras que limitam a liberdade do pensamento e da palavra.

Compartilhar no WhatsApp

Conteúdo patrocinado: link de afiliado Amazon
Mais livros