| Edição: 1ª |
| Publicação: 23 de março de 2018 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 510 |
| Peso: 0.490 kg |
| Dimensões: 20 x 13.2 x 2.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8582850603 |
| ISBN-13: 9788582850602 |
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Em “Os 120 dias de Sodoma”, o Marquês de Sade compõe uma narrativa que se ergue como monumento da transgressão. Escrita em 1785, durante seu encarceramento na Bastilha, a obra descreve em minúcia a reunião de quatro libertinos que, isolados em um castelo, entregam-se a um ciclo de excessos e violências. O romance é tanto um catálogo de práticas extremas quanto uma reflexão sobre o poder, o desejo e a dissolução das normas sociais.
O subtítulo revela a intenção pedagógica da obra: trata-se de uma “escola”, em que a libertinagem é sistematizada e ensinada como disciplina. Os personagens não apenas praticam, mas também teorizam, organizam e transmitem suas experiências, transformando o castelo em laboratório da transgressão. A narrativa, assim, assume caráter quase científico, em que o erotismo se converte em método e a crueldade em sistema.
Mais do que um romance erótico, “Os 120 dias de Sodoma” é uma meditação sobre o poder. Os libertinos exercem domínio absoluto sobre seus corpos e sobre os corpos dos outros, instaurando um regime de violência que revela a face mais sombria da autoridade. O desejo, aqui, além de prazer, é instrumento de dominação, capaz de reduzir o outro à condição de objeto.
Sade não se limita a narrar excessos; sua própria escrita é um ato de transgressão. Ao desafiar convenções morais e literárias, ele cria um texto que escandaliza e fascina, que expõe o leitor ao limite da representação. A obra é um relato de libertinagem e uma crítica radical às instituições e valores de sua época.
“Os 120 dias de Sodoma” permanece como um dos textos mais perturbadores da literatura ocidental. Sua leitura exige coragem, pois confronta diretamente o leitor com a violência do desejo e com a crueldade do poder. Mais do que um romance, é um tratado sobre a transgressão, um espelho que reflete a face mais obscura da condição humana.
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