| Edição: 1ª |
| Publicação: 27 de setembro de 2018 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 280 |
| Peso: 0.25 kg |
| Dimensões: 19.8 x 13 x 1.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8582850778 |
| ISBN-13: 9788582850770 |
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Comprar Livro"Dublinenses" (Dubliners no original em inglês) é uma coletânea de quinze contos publicados em 1914, que juntos formam um retrato vívido e melancólico da vida da classe média e baixa na capital irlandesa no início do século XX.
O tema central que permeia toda a coletânea é a paralisia (ou estagnação) da sociedade dublinense.
Paralisia Social e Moral: Joyce descreve uma cidade sufocada por tradições religiosas, morais e políticas que impedem seus habitantes de agir, evoluir ou buscar a felicidade.
Vida Medíocre: Os personagens estão presos em rotinas banais, carreiras sem futuro e relacionamentos frustrados. O ambiente social é de repressão e tédio.
A "Fuga Frustrada": Muitos contos narram a tentativa fracassada de um personagem de escapar de Dublin. Essa incapacidade de partir, ou a decisão de retornar, reforça o tema da paralisia.
Para revelar as verdades por trás da fachada da vida de Dublin, Joyce emprega a técnica da epifania:
Definição: A epifania, no contexto do autor, é um momento de súbita revelação (um clarão), muitas vezes desencadeado por um evento ou detalhe trivial.
Função: Neste momento, um personagem ou o leitor percebe a verdade essencial, muitas vezes dolorosa, sobre sua própria vida ou sua condição na sociedade.
Os contos são organizados de forma semi-cronológica e temática, cobrindo diferentes fases da vida:
Infância: (Ex: "As Irmãs", "Um Encontro") – Foco na descoberta e na desilusão inicial.
Adolescência: (Ex: "Eveline", "Depois da Corrida") – Foco na busca por um futuro e na frustração das aspirações.
Vida Adulta: (Ex: "A Pensão", "Um Pequeno Incidente") – Foco em relações estagnadas e rotinas de trabalho.
Vida Pública: (Ex: "Ivy Day na Sala do Comitê", "Graça") – Foco na política, religião e vida social.
"Eveline" é um dos contos mais famosos e pungentes da coletânea "Dublinenses" (Dubliners) de James Joyce. O conto ilustra de forma concisa e dolorosa o tema central da obra: a paralisia e a incapacidade de fuga dos habitantes de Dublin.
O conto é um monólogo interior focado em Eveline Hill, uma jovem de dezenove anos que trabalha em uma loja em Dublin e vive uma vida de tédio e obrigação.
O Dilema: Eveline está sentada, revendo memórias e considerando uma decisão crucial: fugir de Dublin com seu namorado, Frank, um marinheiro que lhe oferece uma nova vida em Buenos Aires, ou permanecer na cidade para cuidar de seu pai abusivo e da casa.
A Vida Passada: Ela é assombrada pela promessa que fez à mãe, falecida, de manter a família unida, e pelas lembranças de sua infância mais feliz, contrastando com o presente de opressão e mediocridade.
O Contraste: Frank representa a liberdade, a aventura e o amor, enquanto Dublin representa a segurança, a familiaridade e a opressão.
O conto culmina no cais, onde Eveline e Frank aguardam para embarcar no navio.
A Decisão: Quando o navio está prestes a partir, Eveline é dominada por uma angústia avassaladora e a sensação de que está prestes a afogar-se.
O Medo: O desconhecido (Buenos Aires, o casamento, a vida com Frank) torna-se mais aterrorizante do que o sofrimento conhecido (Dublin, o pai, o tédio).
O Ato Final: Em um momento de paralisia absoluta – a epifania – ela se recusa a seguir Frank, agarrando-se à grade de metal, ficando imóvel. Frank é forçado a embarcar sozinho.
Paralisia: A principal força motriz do conto. A inércia emocional e social de Eveline a impede de tomar uma atitude que a levaria à felicidade.
Dever vs. Desejo: O conflito entre o dever filial imposto pela sociedade e pela promessa à mãe, em relação ao seu desejo pessoal por amor e liberdade.
Fuga Frustrada: Eveline representa a incapacidade de muitos dublinenses de romper com os laços sufocantes da cidade e da tradição. O desejo de fuga existe, mas o medo e a inércia são mais fortes.
"Eveline" é um conto breve, mas um estudo psicológico profundo sobre como o medo do desconhecido e o peso do passado podem nos impedir de viver.
O conto final, "Os Mortos" (The Dead), é a obra-prima da coletânea e é frequentemente publicado separadamente. Ele resume e eleva todos os temas do livro, culminando na famosa epifania de Gabriel Conroy sobre a natureza da vida, da memória e da morte, contrastando o calor dos vivos com o poder penetrante dos que já se foram.