| Edição: 1ª |
| Publicação: 10 de abril de 2024 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 120 |
| Peso: 0.110 kg |
| Dimensões: 11.5 x 0.7 x 17.5 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8584912509 |
| ISBN-13: 9788584912506 |
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Publicado pela editora Ecclesiae em uma tradução que preserva o rigor filológico e a profundidade espiritual, Sobre os maus pensamentos (Peri Logismon) é um dos tratados fundamentais da patrística e da mística cristã primitiva. Evágrio Pôntico, o monge filósofo do deserto de Nítria no século IV, sistematiza nesta obra a psicologia espiritual que serviu de base para toda a tradição monástica posterior, inclusive influenciando a futura classificação dos sete pecados capitais. A erudição de Evágrio manifesta-se em sua capacidade de mapear a “anatomia da tentação”, definindo os logismoi — pensamentos ou sugestões intrusivas — não como meras distrações intelectuais, mas como embriões de paixões que buscam desviar o intelecto (nous) de sua contemplação divina.
A tese central da obra é que a vida espiritual é uma guerra invisível travada no campo da mente. Evágrio identifica oito pensamentos genéricos que assolam a alma: a gula, a luxúria, a avareza, a tristeza, a ira, a acédia, a vaidade e o orgulho.
Evágrio descreve com precisão cirúrgica como os pensamentos infiltram-se na consciência através da memória e da imaginação, aproveitando-se das fraquezas do temperamento e das paixões não mortificadas. Ele argumenta que o pensamento, em si, não é pecado, mas sim o assentimento e a conversão do pensamento em uma paixão dominante. O autor propõe como remédio a prática da nepsis (vigilância) e, especialmente, o método da antirrhesis — o ato de contradizer cada pensamento mau com uma palavra ou versículo das Escrituras, mimetizando como o próprio Cristo enfrentou as tentações no deserto.
A qualidade editorial desta obra reside na clareza com que apresenta a técnica evagriana de discernimento dos espíritos. Evágrio analisa, por exemplo, a acédia — o “demônio do meio-dia” — como um estado de letargia espiritual e tédio existencial que ataca a perseverança do monge, descrevendo seus sintomas físicos e psíquicos com uma perspicácia que antecipa a fenomenologia moderna. Para o autor, a cura para os maus pensamentos não reside em um esforço puramente volitivo, mas na purificação do coração (apatheia) e na oração pura, onde o intelecto se despe de imagens para unir-se a Deus.
A contribuição de Evágrio Pôntico transcende o contexto eremítico do Egito Antigo. Sua análise sobre como as imagens mentais geram cadeias de raciocínios que escravizam a vontade é uma lição de autoconhecimento válida para qualquer época. A obra funciona como um manual de medicina espiritual, onde o diagnóstico é a identificação do pensamento e a prescrição é a disciplina ascética fundamentada na humildade. Evágrio deixa claro que o objetivo final da luta contra os maus pensamentos não é a mera autoperfeição, mas a libertação das faculdades da alma para que elas possam cumprir sua função natural: o amor e a gnose de Deus.
Esta edição da Ecclesiae é indispensável para pesquisadores da teologia patrística e para aqueles interessados na espiritualidade prática. Evágrio apresenta o intelecto como um espelho que, uma vez limpo das manchas dos maus pensamentos, é capaz de refletir a luz incriada. A obra permanece como um testemunho da sofisticação da filosofia monástica, tratando a saúde da alma com a mesma seriedade e rigor científico que um médico dedica ao corpo.
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