| Edição: 1ª |
| Publicação: 4 de outubro de 2018 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 176 |
| Peso: 0.240 kg |
| Dimensões: 20.57 x 13.46 x 1.27 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8588808285 |
| ISBN-13: 9788588808287 |
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Comprar LivroHan Kang, laureada com o Nobel de Literatura, oferece nesta obra uma das mais perturbadoras e sublimes explorações sobre a autonomia do ser e os limites da vontade humana. O romance, estruturado em três atos distintos, narra a metamorfose de Yeonghye, uma mulher comum que, após um sonho premonitório e sangrento, decide abdicar do consumo de carne. Entretanto, o que se inicia como uma escolha dietética logo se transmuta em uma renúncia radical à própria condição humana. Com uma linguagem culta, densa e permeada por uma crueza poética, a autora utiliza o corpo de Yeonghye como um campo de batalha contra as estruturas patriarcais e as normas sociais da Coreia contemporânea, transformando o ato de não comer em um grito de guerra silencioso contra a violência inerente à existência.
A narrativa é habilidosamente elaborada por meio dos pontos de vista de quem rodeia a protagonista — seu esposo, seu cunhado e sua irmã —, destacando que a voz de Yeonghye é a única que continua silenciada, sendo caracterizada apenas pela percepção dos outros. O primeiro ato aborda a violência doméstica e social; o segundo explora uma estética obsessiva e erótica por meio da arte; e o terceiro chega a um clímax elegíaco de desintegração física e mental. Han Kang explora com minúcia a transição do desejo humano para a aspiração vegetal, em que Yeonghye almeja tornar-se planta para se livrar da brutalidade dos seres que respiram. A prosa evoca considerações profundas sobre a sanidade e a loucura, sugerindo que a verdadeira psicose pode residir na conformidade cega a uma sociedade inerentemente violenta.
A autora estabelece uma dicotomia entre a carne, símbolo de dor e agressão, e o reino vegetal, representante de uma existência purificada pelo sol e pela água. A transformação da protagonista é uma tentativa desesperada de retornar a um estado de inocência original, em que a vida não dependa da morte de outro ser.
Ao concluir esta jornada devastadora, Han Kang não oferece redenção ou respostas fáceis, mas entrega uma reflexão visceral sobre a impossibilidade de compreender verdadeiramente o "outro". As considerações finais da obra sugerem que o sacrifício de Yeonghye é uma forma extrema de integridade; ao se recusar a participar da cadeia de consumo e violência, ela se torna um espelho que reflete a monstruosidade daqueles que se consideram normais. O livro subsiste como um monumento à literatura existencialista moderna, desafiando o leitor a encarar as próprias sombras e a fragilidade dos laços que nos mantêm atados à realidade. É uma obra que floresce na mente muito após o término da leitura, tal qual uma raiz que rompe o asfalto em busca de uma luz impossível.