| Edição: 1ª |
| Publicação: 1 de março de 2017 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 240 |
| Peso: 0.340 kg |
| Dimensões: 22.6 x 13.2 x 1.4 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 859288618X |
| ISBN-13: 9788592886189 |
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Comprar LivroO livro mostra que sociedades indígenas organizam-se para impedir a formação de um Estado, preservando autonomia e liberdade.
Pierre Clastres, antropólogo francês, questiona a visão dominante da antropologia política do século XX, que considerava as sociedades indígenas como “incompletas” por não possuírem Estado. Para Clastres, essa ausência não é deficiência, mas estratégia consciente de resistência: tais sociedades criam mecanismos para impedir a concentração de poder e a submissão de uns sobre outros.
Um dos pontos centrais da obra é a análise da figura do chefe. Diferente do líder político ocidental, o chefe indígena não detém poder coercitivo. Sua função é mediadora e simbólica, baseada na generosidade, na palavra e na capacidade de manter a paz. Se tentar impor autoridade, perde legitimidade. Assim, Clastres mostra que essas sociedades são organizadas para evitar a emergência de hierarquias opressivas.
O título sintetiza a tese principal: as sociedades indígenas não são “pré-estatais”, mas sociedades contra o Estado, que criam instituições para impedir que o poder se torne centralizado. Essa perspectiva rompe com a ideia evolucionista de que todas as sociedades caminham inevitavelmente rumo ao Estado. Pelo contrário, Clastres demonstra que há escolhas políticas distintas, baseadas em valores de autonomia e liberdade coletiva.
A obra permanece atual porque questiona os fundamentos da política moderna e inspira reflexões sobre democracia, poder e resistência. Em tempos de crise ambiental e social, o pensamento de Clastres dialoga com movimentos indígenas e comunitários que reivindicam modos de vida fora da lógica estatal e capitalista.