Sobre o sacrifício

Edição:
Publicação: 1 de março de 2017
Idioma: Português
Páginas: 144
Peso: 0.180 kg
Dimensões: 22.4 x 2.4 x 1.2 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 8592886201
ISBN-13: 9788592886202

Quer comprar este livro?

Comprar Livro

Sobre o sacrifício - Marcel Mauss e Henri Hubert

O livro interpreta o sacrifício como rito de mediação entre sagrado e profano, revelando sua lógica social e simbólica.

A lógica do rito sacrificial

No célebre Ensaio sobre a natureza e a função do sacrifício, Mauss e Hubert analisam o sacrifício como um sistema ritual que mobiliza o conjunto das coisas sagradas. O sacrifício não é visto como mera destruição de uma vítima, mas como ato de mediação: por meio dele, o sacrificante se aproxima do sagrado, transformando sua condição e estabelecendo uma ponte entre o humano e o divino.

Os autores distinguem entre sacrifícios pessoais, que incidem sobre a pessoa do sacrificante, e sacrifícios objetivos, que recaem sobre objetos ou espaços. Em todos os casos, o rito envolve uma sequência de operações que afastam o sacrificante do profano e o preparam para o contato com o sagrado.

A unidade do sistema sacrificial

Mauss e Hubert não se interessam em buscar a origem histórica do sacrifício, mas em compreender sua unidade estrutural. Para eles, o social só se explica pelo social: o sacrifício é um fenômeno total, que articula dimensões religiosas, sociais e simbólicas. Ao comparar práticas judaicas e védicas, os autores demonstram que, apesar das diferenças culturais, há uma lógica comum que organiza o rito.

Estilo e contribuição teórica

O texto é marcado pela erudição e pelo rigor conceitual, mas também pela clareza analítica. Mauss e Hubert inauguram uma abordagem que influenciaria profundamente a antropologia religiosa e a sociologia durkheimiana. Sua reflexão mostra que o sacrifício não é um resíduo arcaico, mas uma instituição complexa que revela a relação entre sociedade e sagrado.

A obra antecipa o método comparativo que Mauss desenvolveria em outros ensaios, como o Ensaio sobre a dádiva, e insere-se na tradição de pensar os ritos como sistemas simbólicos dotados de coerência interna.

Mais livros