| Edição: 1ª |
| Publicação: 9 de abril de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 372 |
| Peso: 0.580 kg |
| Dimensões: 16 x 2.2 x 23 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8594090692 |
| ISBN-13: 9788594090690 |
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Comprar LivroNesta obra de fôlego, a historiadora Judith Herrin empreende uma tarefa magistral: resgatar o Império Bizantino dos preconceitos historiográficos que, durante séculos, o rotularam como uma entidade decadente, burocrática e estagnada. Com uma narrativa que equilibra o rigor acadêmico e a fluidez literária, Herrin apresenta Bizâncio como uma civilização vibrante e resiliente, que não apenas sobreviveu por mais de mil anos após a queda de Roma, mas atuou como o escudo protetor da Europa contra as invasões orientais. O livro organiza-se de forma temática, explorando os pilares que sustentaram Constantinopla: a sofisticação de sua diplomacia, a força de sua moeda (o soldo de ouro), a autoridade do Imperador como vigário de Deus e a onipresença da Igreja Ortodoxa.
A autora destaca que Bizâncio foi a verdadeira guardiã da cultura clássica grega. Enquanto o Ocidente mergulhava em um período de fragmentação e perda de saberes, os escribas e estudiosos bizantinos preservavam os textos de Homero, Platão e Aristóteles, além de codificarem o Direito Romano sob Justiniano. Herrin argumenta que a Renascença italiana teria sido impossível sem a transmissão desse legado bizantino. A obra dedica especial atenção à arquitetura e à arte, utilizando a Basílica de Santa Sofia como o símbolo supremo de uma engenharia que buscava unir o céu e a terra, criando um espaço de luz e mistério que definia a experiência espiritual do império.
Um dos diferenciais da abordagem de Herrin é a sua sensibilidade para com os aspectos sociais e o protagonismo feminino em um mundo tradicionalmente visto como patriarcal. Ela explora a vida das imperatrizes, como Teodora e Irene, demonstrando que o poder em Bizâncio era frequentemente exercido nos bastidores do gineceu, mas com repercussões diretas na política e na teologia, especialmente durante as disputas iconoclastas. A autora descreve Constantinopla não apenas como um centro político, mas como a maior metrópole do mundo medieval, um entroncamento comercial onde se cruzavam sedas da China, especiarias da Índia e peles do Norte, mantendo um padrão de vida que escandalizava e fascinava os visitantes do Ocidente latino.
Ao tratar da queda final em 1453, Herrin evita o tom puramente elegíaco, preferindo focar na permanência da identidade bizantina. Ela demonstra como as tradições, a liturgia e a estrutura política bizantinas sobreviveram na cultura russa e nos Bálcãs, influenciando profundamente a formação do Leste Europeu. Bizâncio é, em última análise, um convite para redescobrirmos uma peça essencial do quebra-cabeça da civilização ocidental, uma civilização que soube fundir o pragmatismo romano, a filosofia grega e a fé cristã em uma síntese única que moldou o destino de três continentes.