| Edição: 1ª |
| Publicação: 13 de novembro de 2019 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 96 |
| Peso: 0.163 kg |
| Dimensões: 15.6 x 0.58 x 23.39 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8594318944 |
| ISBN-13: 9788594318947 |
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Nesta obra seminal do ultrarromantismo brasileiro, Álvares de Azevedo constrói uma narrativa emoldurada que mergulha nas profundezas do “mal do século”. A trama organiza-se em torno de um grupo de jovens boêmios — Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hermann e Johann — que, embriagados em uma taverna sombria, passam a noite narrando episódios de suas vidas marcados pela morbidez, pelo crime e por paixões avassaladoras. O autor utiliza a atmosfera claustrofóbica e esfumaçada do recinto como um laboratório para a exploração do fantástico e do grotesco. Cada relato funciona como uma descida aos infernos individuais, onde o amor não é uma fonte de luz, mas um catalisador para a necrofilia, o incesto, o assassinato e o desespero existencial. Azevedo subverte a pureza romântica, substituindo-a por uma celebração do macabro que ecoa a influência de Lord Byron e Hoffmann.
A escrita de Azevedo é caracterizada por um vigor plástico e uma adjetivação intensa, que busca provocar no leitor uma reação visceral de horror e fascínio. O texto detalha cenários lúgubres — cemitérios à meia-noite, quartos de hotel desertos e alcovas fúnebres — onde o desejo se confunde com a morte. A análise foca na construção do herói byroniano: o jovem desencantado, cínico e atormentado, que busca no deboche e na viciação uma fuga para o tédio insuportável da existência. A narrativa avança por meio de uma prosa poética que, embora carregada de um lirismo sombrio, mantém um ritmo febril, mimetizando a embriaguez das personagens e a urgência de suas confissões.
A obra aborda a transgressão como a única forma de autenticidade em um mundo percebido como vazio e hipócrita. Azevedo investiga a fronteira entre a sanidade e a loucura, sugerindo que as experiências extremas narradas pelos boêmios são as únicas capazes de conferir algum sentido à brevidade da vida. A análise do texto destaca a recorrência de temas tabus, como a violação de túmulos e o desejo por mulheres mortas ou moribundas, que servem para enfatizar a impossibilidade de um amor terreno e saudável. A figura da mulher na obra é, frequentemente, uma entidade pálida e etérea, cuja beleza atinge seu ápice no momento da decomposição ou do martírio, refletindo a obsessão ultrarromântica com a finitude.
A linguagem da narrativa é erudita e transbordante de referências clássicas e literárias, elevando a boêmia à condição de rito filosófico. O autor analisa a dualidade entre o riso sardônico e a lágrima sincera, mostrando que sob o cinismo dos narradores pulsa uma dor metafísica que não encontra consolo. A reflexão estende-se para a própria natureza da ficção: os relatos são verdades vividas ou apenas delírios alcoólicos de jovens que desejam dramatizar suas existências? O desfecho da obra, com a chegada da aurora que dissipa os vapores da noite e as sombras da taverna, deixa um rastro de cinzas e a sensação de que a vida, após o esgotamento dos excessos, é apenas um resíduo sem brilho. É um estudo magistral sobre a melancolia, a rebeldia e a atração fatal pelo abismo.
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